domingo, 24 de abril de 2016

Review: Circle II Circle – Reign Of Darkness

(Gravadora: Shinigami Records)

Por Pedro Humangous

Estranho como algumas boas bandas nunca recebem o devido reconhecimento. Tenho uma lista extensa de exemplos para citar e acredito que, infelizmente, você também. Sempre vi o Circle II Circle nessa triste realidade, uma banda consistente, com uma discografia interessante, porém, nunca foi a preferida dos bangers. Apesar da nítida competência, é fato que o som da banda carece de algo a mais, o problema é definir exatamente o que. Parece um belo prato de comida, com todos os ingredientes, mas com falta de tempero. “Reign Of Darkness”é o sétimo álbum na carreira do grupo e o mais brasileiro de todos. Além dos experientes Zak Stevens (vocal), Mitch Stewart (baixo e vocais), Christian Wentz (guitarras e vocais) e Henning Wanner (teclados e vocais), temos os brasileiros Marcelo Moreira na bateria (ex-Almah, Burning Hell) e Bill Hudson nas guitarras. Além disso, a bela e obscura capa foi feita por João Duarte. As músicas são todas perfeitas, com um timbre bem legal das guitarras (mais pesadas do que de costume), teclados bem presentes e encaixados de forma inteligente, uma bateria insana (aquele pedal duplo que bate no peito) e um baixo super encorpado, com linhas audíveis e interessantes. O vocal de Zak dispensa comentários, potente na medida certa. Acho que faltou mesmo foram refrãos mais bem trabalhados, mais interessantes e pegajosos. As composições não embalam, demoram a empolgar e carecem de mais velocidade – ficam em sua maioria naquele mid tempo. As onze faixas passeiam pelo Hard Rock e Metal, esbanjando seriedade e maturidade, com um leve toque de obscuridade nas composições. As que mais gostei foram “Over-Undertune”, “Ghost Of The Devil” e “Somewhere”. Não é um trabalho ruim, de forma alguma, porém, ainda falta um bocado pra se tornar indispensável e memorável. Indicado para os saudosos fãs de Savatage e da própria carreira do Circle II Circle. Nota: 7,0 


Review: Swords At Hymns – Autumnal Introspections


Por Pedro Humangous

Talvez o frio do sul do país tenha uma relação direta com o som extremo das bandas que surgem de lá. Direto da serra gaúcha somos brindados com o novo trabalho da banda Swords At Hymns, intitulado “Autumnal Introspections”. Formado por Leonardo Goulart (vocais e baixo), Maicon Ristow (vocais guitarras e teclados), Andre Lazzarotto (guitarras) e Mateus Perotti (bateria), o grupo apresenta uma sonoridade incrível, atmosférica, gélida e introspectiva. Gostei bastante da mistura bem dosada entre o Black Metal, o Doom e o Melodic Death Metal. O trabalho foi lançado no final do ano passado através da gravadora Sulphur Records, sendo considerado por muitos como um dos melhores registros do ano. As sete composições transbordam uma diversidade de sentimentos, levando o ouvinte a uma viagem incrível, repleta de transições e sensações. A base do som é o Metal Extremo, principalmente o Black Metal (graças ao estilo do vocal), mas não deixam de lado as belas melodias e os momentos mais calmos, quase Folk – os teclados e violões ajudam bastante. O lado Doom traz a cadência no ritmo, traz aquela essência de algo mais contemplativo e triste – mas do lado bom da coisa, se é que me entende. Destaque para as faixas “At The Winter’s Gate”, “Lord Of The Ancient Times” e “Beyond This Tombstone”, essa última com participação de Fernando Troian, vocalista da banda Patria. A linda capa foi feita pelo experiente e renomado artista Marcelo Vasco. Um belíssimo registro para os fãs da arte obscura, altamente recomendado! Nota: 8,5


Review: Visceral Slaughter – Hell On Earth


Por Pedro Humangous

Após uma intro divertida e pra lá de bizarra, o buraco do inferno se abre na terra e começa mais um disco da banda Visceral Slaughter! “Hell On Earth” é o segundo registro desses amapaenses e foi lançado pela One Eye Records e mais uma pancada de outros selos, trazendo oito faixas do mais puro e desgracento Death Metal, ríspido, técnico e veloz! A maravilhosa arte da capa, feita por Rafael Tavares, infelizmente perdeu muito do seu destaque devido à impressão que deixou tudo muito escuro. Outro problema grave foi a produção e mixagem do disco, acabou ficando com um som estranho, abafado e tirando a potencia dos instrumentos. O vocal, animalesco por sinal, ficou muito alto em relação ao instrumental, a guitarra ficou seca e a bateria enterrada. A qualidade das composições, por sua vez, é incrível, um Death Metal de primeira linha, muito bem feito e empolgante, uma pena a produção ter errado a mão. As músicas lembraram uma mistura de Krisiun com Vader, mas obviamente longe de soar como uma cópia. Ao terminar a audição do álbum, me senti completamente atordoado, fuzilado pelas linhas insanas e incansáveis da bateria, atropelado pela massa sonora produzida pelas guitarras e pelo baixo – tudo muito intenso aqui. Os caras tem muito potencial para se tornarem um dos grandes nomes do estilo, não só no Brasil, mas no mundo todo. Só precisam ajustar melhor seu som na hora de gravar e estarem atentos aos cuidados com a parte gráfica. Não basta ter ótimas músicas se o produto final não acompanha a mesma qualidade. Vale ficar de olho nesses caras! Nota: 7,0


sexta-feira, 22 de abril de 2016

Review: Deep Purple - “...To The Rising Sun” - CD e DVD

(Gravadora: Shinigami Records)

Por Pedro Humangous

Que momento de alegria vive o fã do Deep Purple e do bom e velho Rock/Metal! A Shinigami Records, com lançamentos cada vez melhores no mercado nacional, lançou recentemente, nada mais, nada menos, do que dois CDs duplos e dois DVDs da banda! O conjunto todo é vendido separadamente, porém, o pacote completo é lindo de ver (e ouvir). Deixa qualquer coleção que se preze mais bonita e completa. Recentemente resenhei (aqui) o “From The Setting Sun...” (gravado no festival Wacken, Alemanha) e agora temos o “...To The Rising Sun”, gravado no lendário Budokan, em Tóquio. Percebe como um título complementa o outro? Em termos de set list, temos praticamente a mesma coisa, com pequenas diferenças entre um e outro. A apresentação, como de costume, é memorável, de arrancar lágrimas e cabelos de quem assiste – sorte de quem pôde ver isso ao vivo. A qualidade de imagem e áudio estão impecáveis, como de costume, a diferença notável mesmo é o público, muito mais contido aqui nesse registro. Mas isso não tira o brilho da apresentação, do palco, das dezenas de câmeras utilizadas, dando uma ótima dinâmica para o telespectador. Mais um lançamento acertado pela gravadora e totalmente indispensável para qualquer fã do bom e velho Rock’N’Roll! Para os fãs da banda, nem se fala, obrigatório! Nota: 9,0


Track List: 
1. Après Vous
2. Into the Fire
3. Hard Lovin Man
4. Strange Kind of Woman
5. Vincent Price
6. Contact Lost
7. Uncommon Man
8. The Well-Dressed Guitar
9. The Mule
10. Above and Beyond
11. Lazy
12. Hell to Pay
13. Don Airey s Keyboard Solo
14. Perfect Strangers
15. Space Truckin
16. Smoke on the Water
17. Hush (Billy Joe Royal cover)
18. Black Night

Contato: http://www.deeppurple.com/

Adquira o CD AQUI
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quinta-feira, 14 de abril de 2016

Review: Woslom – A Near Life Experience


Por Pedro Humangous

Orgulho define o sentimento que sentimos ao ouvir mais um disco da banda brasileira Woslom. Sim, uma banda nacional, cada vez mais com um nível de excelência e maturidade dos grandes nomes mundiais, com cara de coisa gringa mesmo. A capa já impacta logo de cara, uma arte maravilhosa, lembrando os clássicos do Thrash dos anos 80. Mas se engana quem pensa que seu som soa datado, seguindo a moda recente de reviver a década de ouro do estilo. Pelo contrário, apesar das nítidas influências, os caras apostam em um som moderno e atual – o mais legal é poder sentir ao mesmo tempo a nostalgia e o clima de novidade. As nove faixas que compõem esse disco simplesmente exalam o Thrash Metal americano, é Bay Area puro, impossível não se lembrar de Exodus e Testament! Gostei muito da mixagem nesse trabalho, ficou tudo muito animal e impactante, dá pra ouvir o baixo com nitidez, o timbre da bateria está fantástico, os vocais bem encaixados e balanceados e as guitarras incríveis! Aliás, a dupla de guitarristas Silvano Aguilera (que também assume os vocais) e Rafael Iak estava inspiradíssima, desfilando suas técnicas apuradas e o bom gosto em solos absurdos e riffs viciantes – principalmente quando resolvem fazer as “guitarras gêmeas”, dando aquela cara de Iron Maiden com Metallica. Eu praticamente não acreditava no que ouvia, logo nas primeiras duas faixas, já estava embasbacado. Estamos diante de uma das melhores bandas do estilo no Brasil, sem exageros. Legal ver que se preocuparam em deixar as músicas agressivas, porém bastante acessíveis, com refrãos pegajosos e mudanças de ritmo que prendem o ouvinte do início ao fim. Pra fechar, escolheram uma ótima banda para fazer um cover, “Thrasher’s Return” do grande Bywar. Todas as músicas ficaram incríveis, mas destaco a monstruosa “Lords Of War”, com sua intro no melhor estilo Slayer de ser, contando com passagens insanas de Death Metal do meio pro final. Ao terminar de ouvir o disco, o jeito é levantar e aplaudir, pois um trabalho desses merece! Nota: 9,5


Gravadora: Shinigami Records

Será??

Será que esse ano teremos mais uma edição da Metting Hell?

Ou será que a Hell Divine retoma suas atividades?

Será que teremos camisetas novas? Ou quem sabe patches personalizados?

Fiquem de olho em nossos canais para acompanhar todas as nossas novidades!

GO TO HELL!!

Review: Soilwork – The Ride Majestic


Por Pedro Humangous

Se existe uma banda que eleva nosso espírito e traz o sorriso estampado em nossas faces logo nos primeiros segundos de música, essa é o Soilwork! Essa mistura agradável do super melódico com o extremo agrada em cheio e consegue satisfazer os mais exigentes públicos de ambos os gêneros. Uma banda que vem crescendo exponencialmente ao longo dos anos, nunca deixou a peteca cair e surpreende a cada novo álbum lançado. E não é diferente agora com o majestoso (desculpem o trocadilho) “The Ride Majestic”. O vocalista, Björn "Speed" Strid, está simplesmente insano em sua performance nesse trabalho, mandando uns guturais rasgados de arrepiar, isso sem falar nos vocais mais limpos, cheios de drive e belas melodias. As guitarras então, sem comentários, agressivas e com um timbre maravilhoso. Gostei bastante da essência Black Metal que utilizaram na faixa “Alight In The Aftermath”, deu um toque especial à composição. Alguns experimentalismos ainda incomodam os ouvidos, como “Death In General”, repleta de altos e baixos, acaba sendo uma faixa mediana. Uma das coisas que me chamou bastante a atenção foram as linhas do baterista Dirk Verbeuren, bastante criativo e arrojado, sem medo de descer a mão e abusar dos blast beats. A produção e gravação estão incríveis, tudo cristalino e bem encaixado – méritos para David Castillo e para o experiente Jens Bogren que mixou e masterizou o disco. Sobre a arte da capa, achei bastante insossa, bonita, mas sem grandes atrativos, principalmente se comparada aos grandes trabalhos artísticos que temos visto estampando as capas dos discos ultimamente. Discordo da maioria que insiste em dizer que a banda perdeu seu peso e velocidade, acredito que eles canalizaram melhor esses atributos e trouxeram uma roupagem mais madura, porém, o conteúdo continua ali, intacto. É fato que focaram mais na construção das músicas, em linhas complexas de guitarra, trazendo mais melodia e momentos mais calmos do que outrora. Nem por isso deixa de ser um excelente lançamento, importante para compor essa invejável discografia. Nota: 8,5


Gravadora: Nuclear Blast / Shinigami Records

quinta-feira, 31 de março de 2016

Review: Worst – Instinto Ruim


Por Pedro Humangous

Se tem uma coisa que admiro é o Hardcore feito no Brasil. Dá pra sentir a sinceridade dos caras nas letras, a ira das guitarras, a pancada na batera e as chibatadas das cordas do baixo. “Instinto Ruim” já é o terceiro álbum da banda Worst, que, ao contrário do nome, são um dos melhores no estilo em nosso país. É notória a evolução a cada disco lançado, fortificando sua reputação, ganhando novos admiradores e fiéis seguidores. O fato de cantarem em português já ajuda muito no entendimento das mensagens, todas fortes e impactantes, fazendo quase que automaticamente o punho cerrado e o ódio no olhar tomem conta de nossas almas. O som não tem frescuras, é ríspido, direto e devastador. Gostei muito da produção desse material, a qualidade de gravação está ótima, bela mixagem e timbragem dos instrumentos. Os vocais rasgados de Thiago Monstrinho trazem aquele clima de agonia e pressa, praticamente cuspindo palavras raivosas em nossos ouvidos que sangram com cada batida do baterista Fernando Schaefer. As guitarras de Tiago Hospede e o baixo de Ricardo Brigas caminham juntos feito dois tanques de guerra, com tiros certeiros em forma de riffs. Temos algumas participações especiais como a do Fábio Figueiredo (John Wayne) na faixa “Precipício” e de Billy Graziadei (Biohazard), Carl Schwartz (First Blood) e Mathias Tarnath (Nasty) na faixa bônus “Urban Discipline” – uma das duas cantadas em inglês no disco, a outra é a ótima “Right To Kill”. A arte gráfica (tanto a capa quanto o encarte) é bem simples e sóbria, sem grandes atrativos, mas passa o recado logo de cara. Se essa é sua praia, “Instinto Ruim” é mais do que recomendado. Se ainda não é, tá mais do que na hora de descer a serra e ganhar um bronzeado. Nota: 8,5


Review: W.A.S.P. – Dominator


Por Pedro Humangous

No Brasil, o disco é novo, porém, o lançamento é de 2007. Graças à Shinigami Records, finalmente temos à disposição “Dominator”, décimo terceiro álbum da banda americana W.A.S.P. Sabemos que a banda nunca foi unanimidade entre a legião headbanger, mas tem sim seus fiéis seguidores. E sim, a banda é muito competente e empolgante. Alguns trabalhos anteriores a esse foram muito questionados pelo direcionamento que estavam tomando e “Dominator” foi basicamente um retorno às raízes, mas cru e direto. O que temos aqui é um Hard/Heavy de altíssima qualidade, guitarras super afiadas, vocais e refrões incríveis. Blackie Lawless, eterno líder do grupo, faz um ótimo trabalho nas guitarras e nos vocais, além de teclados muito bem encaixados aqui e ali. O cara é um gênio, ficou responsável por todas as composições, letras e produção do disco. E o álbum está todo bem legal, homogêneo, ou seja, você curte do início ao fim. Os refrões grudam na cabeça com extrema facilidade, daqueles que logo na primeira ouvida já sai cantarolando por ai o dia todo! Minhas favoritas são “Long, Long Way To Go”, “The Burning Man (uma das melhores!) e “Teacher”. Pra você que não conhece muito bem o W.A.S.P., eu faria uma comparação grosseira como uma mistura de Scorpions e Axel Rudi Pell. Mesmo as baladas, que não curto tanto, ficaram legais aqui nesse trabalho, conseguiram dosar bem a parte melosa com o poder do Metal – devem ficar excelentes para cantar junto nos shows! Já arte da capa achei “meia boca”, não é feia, mas também não traz nada demais – pelo menos ela completa a temática do disco e suas letras. O álbum pode não ser um clássico ou um primor do Metal mundial, mas certamente garante horas de diversão e boa música! Nota: 8,0


Track List:
01. Mercy
02. Long, Long Way To Go
03. Take Me Up
04. The Burning Man
05. Heaven's Hung In Black
06. Heaven's Blessed
07. Teacher
08. Heaven's Hung In Black (Reprise)
09. Deal With The Devil

quarta-feira, 30 de março de 2016

Review: Imperative Music – Volume X


Por Pedro Humangous

As coletâneas da Imperative Music já estão se tonando itens clássicos e indispensáveis em qualquer coleção! Cada novo volume traz mais e mais bandas interessantes do mundo todo, apresentando os conhecidos medalhões e os surpreendentes desconhecidos, um leque enorme de nacionalidades, dos mais variados estilos. Temos em mãos o décimo volume dessa compilação brasileira que é distribuída mundialmente por parceiros e bandas do mundo inteiro. Gostei muito da arte da capa, feita por Julio Souza, bem obscura e maléfica na medida certa, sem exageros. E no track list, o que temos? O disco já começa com ninguém menos do que Kreator, com sua cortante faixa “Civilization Collapse”. Na sequência temos a absurda e excelente banda brasileira Siriun, como uma sonoridade incrível, moderna e impactante. Outra banda nacional que merece destaque é a Semblant, uma das melhores no estilo Dark/Gothic. Em outras bandas é possível ver que ainda precisam melhorar muito no quesito qualidade de gravação e produção, mas já mostram qualidade quando o assunto é composição, como nos casos da brasileira Rage Darkness (enterraram os vocais na mixagem) e dos franceses do Skox (lembrou muito o Vader, mas o timbre das guitarras está estranho, além de muito altas). O que mais me assusta nessas coletâneas é a quantidade de bandas incríveis que existem e nós infelizmente não ficamos nem sabendo. E nesse caso a Imperative Music ganha nota 10 pelo serviço prestado ao Heavy Metal! Outros bons destaques que vocês podem correr atrás e ouvir são: DeGrace (França), Clandestine (Japão), Yuri Fulone (Brasil) e Eleanor (Japão) – essa última cantada em japonês, bem legal! Minha crítica fica por conta da qualidade de som de algumas bandas, bem aquém das demais, dando uma quebrada na audição. Acho que poderia ter uma seleção melhor das bandas que entrarão no cast final, pois fica muito evidente um som profissional de algo praticamente em versão demo. De qualquer forma, belíssimo produto para colecionar, ouvir e conhecer novas e diferentes bandas de Metal! Nota: 9,0

Contatos: 

terça-feira, 29 de março de 2016

Review: Tribal - Tribal EP



Por Pedro Humangous

Lançado de uma forma inusitada e inovadora, o grupo curitibano Tribal traz seu autointitulado EP de estreia e já se mostra uma grande e competente banda. Formada por Cris Fernandes (vocais e guitarras), Anderson Cielo (guitarras), José Harasim (baixo) e Edu Sallum (bateria), os músicos buscam uma mistura bem interessante entre o Djent, o Technical Death, pitadas de Jazz e Prog. A sonoridade é simplesmente brutal, dinâmica e extremamente empolgante, fugindo de todos os padrões encontrados em bandas nacionais. É obvia a influência de Meshuggah, pela quebra de tempos e principalmente pelos vocais, mas algo me fez lembrar as bandas brasileiras Dynahead e Optical Faze. Ou seja, o que temos aqui é algo bastante moderno, repleto de groove e experimentações. Gostei muito das ideias criativas apresentadas para as guitarras, das levadas interessantes de bateria e certamente das linhas de baixo – que ganhou forte presença na mixagem (a cargo de Richard Rietdijk, na Holanda). Com pouco mais de trinta minutos de música, arrisco dizer que as seis composições hipnotizam e encantam, dá pra ver que foi tudo feito com muito suor, com cuidado e dedicação. O EP começa com toda aquela “brasilidade” ao som do berimbau e logo entram as guitarras em baixa afinação – lembrando muito a sonoridade de “Roots” do Sepultura. Na sequência vem a faixa “Broken”, uma das minhas favoritas, com riffs fortes, um timbre animal, solos de sangrar os ouvidos e uma bateria maravilhosamente encaixada. “Unconditional” é a mais viajante, atmosférica, cheia de climas obscuros e vocais “limpos”, misturados ao rasgado/gutural. Não sei se foi só eu, mas senti a energia da banda Tool passando por aqui também. Atualmente está cada dia mais difícil vender a mídia física, seja pelo alto custo, seja pela facilidade de se obter de forma gratuita pela internet. Com isso, esse formato diferenciado, embalado em forma de pen drive/cartão, fica muito legal de ter um disco diferenciado na coleção, além de poder levar consigo e ouvir em qualquer lugar, seja no som de casa, do carro ou no computador. Nos arquivos ainda temos todo o encarte, com informações, letras das músicas, etc. Esse EP é absurdamente animal e merece ser adquirido e ouvido por todos! Fiquei extremamente surpreso com esse material e me traz ansiedade pelo que podem ainda trazer daqui pra frente! Nota: 9,5



Você pode fazer o download gratuito aqui: tribalband7.bandcamp.com

quinta-feira, 10 de março de 2016

Review: Deep Purple - From The Setting Sun... In Wacken

(Gravadora: Shinigami Records)

Por Pedro Humangous

Ao resenhar um trabalho do Deep Purple, fico pensando: o que mais dizer sobre essa lendária banda, que ainda não tenha sido dito? Obviamente não preciso dizer sobre a história da banda certo? Se você não conhece nada sobre a banda, creio que esteja no site errado, lendo um texto que não foi feito pra você. Aos demais, adoradores de boa música, temos mais um grande lançamento, o DVD e CD gravados ao vivo em um dos maiores festivais de Heavy Metal, o Wacken. O registro recebeu o título de “From The Setting Sun... In Wacken”. Dá pra acreditar que mesmo com mais de quarenta anos de carreira, essa foi a primeira vez dos caras no festival alemão? No mínimo curioso, mas finalmente e merecidamente aconteceu. Um time formado por Ian Gillan (Vocais), Steve Morse (Guitarras), Roger Glover (Baixo), Don Airey (Teclados, órgão) e Ian Paice (Bateria) não teria como apresentar nada menos do que a perfeição no palco através de dezessete incríveis composições da banda. A felicidade de todos estava estampada no rosto de cada um ali presente, seja do público, seja dos músicos. Um clima de festividade e emoção abrilhantava essa impecável apresentação, acompanhada de uma qualidade ímpar de imagem e som, não há nada aqui para reclamar. O set trouxe músicas de várias fases da carreira do grupo, destaque para as músicas mais “novas” do “Now What?!”, de 2013, e os clássicos absolutos como “Perfect Strangers” e “Smoke On The Water” – essa última com a participação especial de Uli Roth (ex-Scorpions). Um lançamento sensacional, indispensável em qualquer coleção que se preze, mostrando que os “tiozinhos” estão mais vivos do que nunca! Nota: 9,0


Track List:
1. Highway Star
2. Into The Fire
3. Hard Lovin' Man
4. Vincent Price
5. Strange Kind Of Woman
6. Contact Lost
7. The Well - Dressed Guitar
8. Hell To Pay
9. Lazy
10. Above And Beyond
11. No One Came
12. Don Airey's Solo
13. Perfect Strangers
14. Space Truckin'
15. Smoke On The Water (featuring Uli Jon Roth)
16. Green Onions/Hush
17. Black Night 

Review: Lynyrd Skynyrd – One More For The Fans (CD e DVD)


Por Pedro Humangous

Nada como um dia chuvoso em casa para ouvir um clássico do Rock, é ou não é? O mês de março já é conhecido por suas infindáveis chuvas e nada melhor que um bom disco para ouvir com calma, sentado em sua poltrona favorita, acompanhado de uma bela e lupulada cerveja. E o disco escolhido para me acompanhar foi o DVD da lendária banda de Southern Rock, Lynyrd Skynyrd! O material acaba de ser lançado no Brasil, através da Shinigami Records, em DVD e CD duplo (vendidos separadamente). Trata-se de uma verdadeira celebração a essa incrível história de uma das maiores bandas de Rock de todos os tempos. O show foi registrado em 2014 no Fox Theatre, em Atlanta/EUA e traz uma lista impressionante de brilhantes convidados como Peter Frampton, Cheap Trick, Gov’t Mule, Blackberry Smoke, entre tantas outras. É clássico atrás de clássico, executados com perfeição e com um toque pessoal que deixou tudo ainda mais interessante. A qualidade de imagem e som estão indiscutíveis, tudo feito com carinho e na medida certa, sem muito polimento, sem exageros. São horas e mais horas de show e extras, diversão garantida, tanto para os fãs da velha escola, quanto para os mais novos, uma verdadeira aula! Não há como apontar destaques, mas impossível não se emocionar com o clássico absoluto, “Free Bird”, que composição fantástica e animal! Não há dúvidas e nem precisa pensar duas vezes, adquira esse material físico e tenha eternamente em sua coleção! Nota: 9,0


Track List:
1. Whiskey Rock A Roller (Performed by Randy Houser)
2. You Got That Right (Performed by Robert Randolph Jimmy Hall)
3. Saturday Night Special (Performed by Aaron Lewis)
4. Workin For MCA (Performed by Blackberry Smoke)
5. Don t Ask Me No Questions (Performed by O.A.R.)
6. Gimme Back My Bullets (Performed by Cheap Trick)
7. The Ballad of Curtis Loew (Performed by Moe. John Hiatt)
8. Simple Man (Performed by Gov t Mule)
9. That Smell (Performed by Warren Haynes)
10. Four Walls of Raiford (Performed by Jamey Johnson)
11. I Know A Little (Performed by Jason Isbell)
12. Call Me The Breeze (Performed by Peter Frampton)
13. What s Your Name (Performed by Trace Adkins)
14. Down South Jukin (performed by Charlie Daniels Donnie Van Zant)
15. Gimme Three Steps (Performed by Alabama)
16. Tuesday s Gone (Performed by Gregg Allman)
17. Travelin Man (Performed by Lynyrd Skynyrd With Johnny and Ronnie)
18. Free Bird (Performed by Lynyrd Skynyrd)
19. Sweet Home Alabama (Performed by Lynyrd Skynyrd and the entire line-up)

Review: Maverick – The Motor Becomes My Voice

(Gravadora: Shinigami Records)

Por Pedro Humangous

Demorou, mas finalmente chegou a hora de resenhar o tão falado disco de estreia da banda Maverick. Inspirados no clássico carro da Ford, a banda segue na mesma linha do veículo, ou seja, veloz e potente! E se ficar parado, corre o risco de ser atropelado por essa máquina! O grupo formado por Gabriel Semaglia (vocais e guitarras), Caio Henrique (guitarras), Lucas Silva (baixo) e Gustavo Polississo (bateria), entrega um Thrash Metal nervoso, repleto de Groove, lembrando bastante coisa do Lamb Of God, Pantera e um pouquinho de Sepultura das antigas – pelo menos a essência pode ser sentida aqui. Os caras não medem esforços e não desaceleram em momento algum, desfilando riff atrás de riff, acompanhados por um baixo encorpadasso e uma batera forte e impactante. O vocal é rasgado na medida certa e combina perfeitamente com o instrumental, deixando todas as composições ainda mais empolgantes. É praticamente impossível ficar parado ou evitar bater cabeça enquanto ouvimos faixas como “Upsidown” e “Shadows Inc.”, por exemplo. A falta de informações no encarte dificulta a identificação de quem fez a capa ou quem produziu o trabalho. A arte da capa, apesar de legal, é bem comum e não chama tanto a atenção. A gravação pecou em alguns aspectos, principalmente na bateria – em alguns momentos o pedal duplo incomoda e fica muito alto na mixagem. Senti falta de uns solos insanos para acompanhar o estilão do som que se propuseram a tocar, mas o Groove transborda tanto que compensa essa ausência. Acredito que a banda tem muito a oferecer ainda e, se continuarem nesse ritmo, tem tudo pra se destacar mundialmente. Uma bela estreia! Nota: 8,0



quinta-feira, 11 de fevereiro de 2016

Como se tornar Black Metal

Curte desenhos animados? Quer saber o que fazer para se tornar Black Metal?

Confiram a bem humorada animação abaixo e lembre-se: não leve tão a sério.




Em breve farei uma matéria somente com videoclipes em desenhos animados!

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2016

Review: Dragonforce – In The Line Of Fire... Larger Than Live

(Shinigami Records)

Por Pedro Humangous

Com o Dragonforce eu aprendi o poder que a indústria do videogame tem. Incrível como a banda ganhou destaque após ser a música mais difícil do jogo “Guitar Hero”, quando participaram com a música “Through The Fire And Flames”. Se o grupo multicultural, com sede na Inglaterra, já tinha sua base de fãs antes do game, depois disso tornou-se um grande nome mundial. Foi bem interessante acompanhar a evolução dos caras disco após disco e, apesar da troca de vocalistas, o grupo permaneceu intacto e lançando ótimos trabalhos. Um bom exemplo disso está ao nosso alcance, graças à Shinigami Records, que disponibilizou no mercado brasileiro o CD/DVD “In The Line Of Fire... Larger Than Live”. Ao colocar o DVD pra rodar, fiquei simplesmente embasbacado com a absurda qualidade sonora e principalmente de imagem. Inicialmente fiquei chateado e me perguntei: por que as gravadoras brasileiras não lançam praticamente nada em Blu Ray? Mas esse DVD tem uma das melhores e mais nítidas imagens que já vi na vida, perfeito! A iluminação de palco ajudou e muito nesse resultado final surpreendente. Outro fator assustador foi a quantidade de pessoas na plateia, o local estava lotado! O show foi gravado no Loud Park Festival em Tóquio, Japão, e parece que finalmente os japoneses estão se soltando um pouco mais e curtindo os shows – teve até circle pit! O track list está matador, cobrindo toda a carreira da banda, mesclando muito bem todas as fases, onde tocaram as melhores! A abertura com “Fury Of The Storm” já retirou todo o ar de nossos pulmões, pois foi impossível não cantar junto! Os caras estão super entrosados e afiados, com uma presença de palco invejável e performances quase surreais – apesar de eu achar que tem bastante overdub na edição. O que mais impressiona aqui é facilidade e tranquilidade com que tocam todas essas músicas ultra complexas e velozes – só nos resta babar. Uma coisa que não gostei foi a mistura de músicas ao vivo e cenas do backstage, quebrando um pouco da energia do show completo. A capa e toda a arte desse trabalho ficaram nas mãos do meu amigo Caio Caldas, um baita orgulho para nós brasileiros. Excelente material, item obrigatório em qualquer coleção! Nota: 9,0


CD: 
01. Fury of the Storm 
02. Three Hammers 
03. Black Winter Night 
04. Seasons 
05. Tomorrow’s Kings 
06. Symphony of the Night 
07. Cry Thunder 
08. Ring of Fire 
09. Through the Fire and Flames 
10. Valley of the Damned 
11. Defenders (CD Bonus Track) 

DVD: 
01. Fury of the Storm 
02. Three Hammers 
03. Black Winter Night 
04. Seasons 
05. Tomorrow’s Kings 
06. Symphony of the Night 
07. Cry Thunder 
08. Ring of Fire 
09. Through the Fire and Flames 
10. Valley of the Damned

Review: Vulture - Abandoned Haunt of Cosmic Hate

(Cianeto Discos - Feed Bizarre Records - Underground Brasil Distro - Brihaller Records)

Por Pedro Humangous

O Vulture não é a melhor banda, a mais perfeita ou a mais técnica, mas o que me fez gostar do som dos caras foi a honestidade com que sempre apresentaram suas músicas. Me lembro bem de quando comprei o primeiro disco deles, “Test Of Fire” de 2005, desde então não perco nenhum lançamento da banda, tenho todos originais na coleção. O último trabalho oficial havia sido o “Destructive Creation” de 2012, de lá pra cá se passaram três anos sem nenhum lançamento. Eis então que somos recebidos com a bela notícia de que um novo disco estava sendo preparado, “Abandoned Haunt of Cosmic Hate”, que recebeu a luz do sol no final do ano passado, embalado pela brilhante arte de Rafael Tavares. O álbum apresenta o bom e velho Death Metal, transbordando melodias por toda a parte, riffs viciantes, bateria veloz e um vocal nervoso de tirar o fôlego! Em certos momentos a banda puxa para o lado viking da coisa, lembrando bastante o jeitão do Amon Amarth e Ensiferum. Os pontos negativos ficam por conta da impressão do encarte, que deixou a arte da capa muito escura, perdendo detalhes, e a produção do disco que acabou ficando um pouco abafada, tirando o punch necessário das guitarras, a força do vocal e embolando um pouco a bateria. Os destaques ficam para as faixas mais cadenciadas, os milhares de riffs muito bem construídos e as faixas cantadas em português, “Até As Últimas Consequências” e “Moderna Escravidão” roubam a cena – talvez esse possa ser um ótimo caminho a ser seguido daqui pra frente. Gostei muito das faixas “Under The Blade Of Death”, “Masters Of Decay” e “Omniscient Ignorance” (essa última com umas guitarras dobradas lindíssimas). O Vulture nos prova, uma vez mais, que temos excelentes bandas no underground nacional, que merecem nosso respeito e admiração. “Abandoned Haunt of Cosmic Hate” é um mais um ótimo álbum dessa grande banda brasileira, você definitivamente precisa ouvi-lo com urgência! Nota: 8,0 


Formação:
Adauto Xavier - (guitarras, vocais) 
Yuri Schumamn - (guitarras, backing vocals) 
Max Schumann - (baixo, backing vocals) 
André Xavier - (bateria)

Review: Kliav – Kliav


Por Pedro Humangous

Quando resenhei o EP da banda Kliav, já via que a banda tinha enorme potencial. O grupo trazia algo diferente em seu som, experimentações pouco usadas por bandas brasileiras. Depois de um tempo sumidos, finalmente retornam com seu primeiro disco completo, autointitulado. A mistureba e os experimentalismos continuam em alta, com composições bastante variadas, trazendo diversos momentos e sensações diferentes dentro da mesma música – ora fica lenta com vocais sussurrados, ora fica nervosa e veloz. Eu diria que seu estilo é impossível de se rotular, mas o que mais se aproxima é o Nu Metal – em vários momentos lembra Korn, Slipknot e Ill Nino (antigo). Existe ainda uma pitada de Thrash moderno e Metalcore, trazendo à memória nomes como Claustrofobia e Project 46. O mais legal aqui é que conseguiram dar aquela energia e a cara do Metal brasileiro, não sei explicar muito bem como é isso, mas você ouvindo sente logo de cara – aquela essência de Sepultura e Soulfly. A gravação ficou animal, impactante, com timbres muito bem escolhidos, condizentes com o estilo – destaque para o som que tiraram da bateria. Os breakdowns estão por toda a parte e são de arrancar a cabeça do pescoço – “Can You Hide” por exemplo já começa à todo vapor! Os vocais de Theago Liddell são sufocantes, cavernosos, mesclando bem o rasgado e o gutural, fora a variação quando resolve cantar mais limpo/sussurrado. Os destaques vão para “São Paulo É Ódio” cantada em português e vomitando toda sua ira, com uma letra incrível – aliás, deveriam seguir mais nessa linha, ficou muito bom! Outra que merece destaque é “Bullet Time”, já conhecida do público que acompanha a banda, uma música com ótima construção, riffs e refrão viciantes! A única coisa que podia ter sido mais bem trabalhada foi a direção de arte, o álbum merecia uma arte melhor para a capa. Um belíssimo álbum de estreia, continuo apostando minhas fichas nesses caras, que tem muito a crescer ainda! Nota: 8,5


Review: Nando Moraes – Ignited!

(Independente)

Por Pedro Humangous

Não dá pra entender como ainda tem gente que torce o nariz para discos instrumentais. Talvez pelo costume, alguns ainda sintam falta dos vocais, mas sinceramente, os músicos estão construindo discos cada vez melhores e, nesse caso, as guitarras simplesmente “falam”. Nando Moraes não só se parece fisicamente com Joe Satriani, mas também segue sua escola na forma de compor suas músicas. O que isso quer dizer? O guitarrista prima pelas melodias, pelas construções mais simples e objetivas, sem tanta viagem e sem aquela necessidade de mostrar todo seu conhecimento e técnica nas seis cordas. E acredito que isso tenha sido o ponto mais positivo em “Ignited!”. Composto por sete faixas, o músico traz uma compilação de excelentes músicas, bastante variadas e com extremo bom gosto. Existem as mais velozes, como a faixa de abertura “Rite Of Passage (Staring The Flames)”, as mais puxadas pro Blues como “Once In A Shiffle Time”, as mais prog como “The Voyager”, as estilo baladas como “In Fire”. Nando vem acompanhado dos excelentes instrumentistas André Garcia (baixo), Bruno Santos (teclados) e Bruno Méba (bateria), todos desempenhando um importante papel no resultado final desse trabalho. Gostei muito da produção desse disco, uma ótima qualidade de gravação e mixagem, deixaram tudo bem redondinho. O álbum vem em formato digipack, envolto em uma belíssima arte desenvolvida por Lucas Aldi (também guitarrista da banda Slasher). Fico feliz em ver que temos músicos profissionais e capacitados em nosso país, gente que sabe fazer música boa e de qualidade, sem se prender a rótulos ou seguir o caminho mais fácil. Música instrumental não é fácil nem aqui, nem em lugar nenhum do mundo. Mesmo assim, o Nando Moraes se saiu muito bem e apresentou um ótimo trabalho de estreia. Não deixa a desejar em nada em relação aos grandes nomes mundialmente consagrados! Nota: 8,5 





Angra e Sepultura: Apresentação para multidão no carnaval de Salvador


Cerca de dois milhões de brasileiros, puderam conferir, quase sete horas de muito rock e metal com as bandas Angra e Sepultura tocando juntas no circuito Barra-Ondina durante o carnaval de Salvador – que é considerado uma das maiores festas de rua do planeta. Juntas as bandas tocaram cerca de 50 músicas no total, incluindo covers de bandas icônicas como AC/DC, Queen, Twisted Sister, Kiss e outros, além de seus próprios sucessos.


O palco estava montado em um trio elétrico que levou 4,5 km através do circuito onde acontece a festa, saindo da praia da Barra até a praia de Ondina, grande ponto turístico na cidade de Salvador, que é o coração cultural do Brasil e um dos destinos mais procurados por turistas nesta época do ano.

Foi a primeira vez que uma banda de metal pesado realizou um circuito de carnaval em Salvador tocando clássicos do rock em um bloco direcionado especificamente para homenagear os fãs do estilo. O empresario do Angra e diretor da Top Link Music, Paulo Baron em parceria com o ativista cultural e cantor Carlinhos Brown, desenvolveram juntos a ideia de quebrar uma nova barreira mercadológica levando as duas maiores bandas de metal do Brasil para um bloco sem cordas e andante. 

Moradores, visitantes, headbangers, o pessoal do axé e todos que estavam presentes no local, passaram um dia inteiro de muito calor no verão baiano, apenas aguardando a chegada deste momento histórico e curtindo a folia. Algumas das pessoas que lotaram as ruas de Salvador não são fãs de metal mas receberam as bandas e a ideia do bloco de braços abertos fazendo com que a empreitada fosse um grande sucesso.  O público deste sábado entrou para a história como sendo a maior plateia para qual uma banda do metal nacional já se apresentou no Brasil.


A ideia do bloco era justamente extinguir qualquer tipo de preconceito contra o rock e o metal mostrando que as bandas mesmo fora de seu contexto natural, com seu peso e musicalidade apurada são capazes de agradar qualquer plateia que esteja disposta a curtir música boa e de qualidade. 

Confira alguns vídeos:

Cobertura Globo News 

Cobertura Band Folia ​ 

Cobertura SBT Folia 


Foto por Derrick Green

Após o evento, Rafael Bittencout fez um desabafo em sua página no Facebook:

Review: Dark Avenger – Alive In The Dark

(Gravadora: Shinigami Records)

Por Pedro Humangous


O ano era 2003, época em que o Metal vivia um bom momento, com grandes lançamentos, muitos discos nas prateleiras e o público comparecendo em peso aos shows. Apesar do estilo já ter sido consolidado há anos, o Melodic/Power Metal estava em alta, com bandas excelentes surgindo a cada momento, de todos os cantos do mundo. Em minha opinião, depois do Angra, a melhor banda brasileira do estilo, que ganhou enorme repercussão nacional e mundial, foi o Dark Avenger. Acredito que o único problema que tiveram ao longo da carreira foram as constantes mudanças de formação. “Alive In The Dark” trata-se do primeiro registro ao vivo do grupo, gravado no famoso Led Slay, em São Paulo. O lançamento traz vinte músicas, divididas em dois discos, passando por toda a história do Dark Avenger. O primeiro CD mostra todo o poder da banda ao vivo, com uma performance matadora, dá pra sentir a energia e empolgação dos músicos e do público. Impossível não se emocionar e cantar junto com os grandes clássicos como “Dark Avenger”, “Crown Of Thorns”, “Tales Of Avalon”, “Rebellion” e “Armageddon”. A qualidade de gravação está ótima, conseguiram trazer aquela essência e feeling de um show ao vivo, sem perder a qualidade sonora. Os teclados estão bem presentes, destacaram o baixo, bateria perfeita, guitarras na medida certa e um vocal insano de Mario Linhares, cantando como nunca! No segundo disco temos a clássica “Morgana”, versões sinfônicas e acústicas de algumas músicas, além do EP “X Dark Days”. Vale destacar a maravilhosa “As The Rain” com inserções da música do “O Senhor Dos Anéis”. Outra menção honrosa vai para a belíssima arte da capa, feita por Marcus Ravelli. Um registro histórico, de uma das melhores bandas que o Brasil já teve. Parabéns à Shinigami Records por apostar em um grande lançamento como esse, um dos melhores “Live” que já ouvi. Vida longa ao Dark Avenger! Nota: 9,5

CD 1 
01. Dark Avenger 2003 
02. Who Dare To Care 
03. Crown Of Thorns 
04. Die Mermaid 
05. Utther Evil 
06. Clas Myrddin 
07. Tales Of Avalon 
08. Rebellion 
09. Unleash Hell 
10. Armageddon 

CD 2 
01. Morgana 
02. Symphonic As The Rain 
03. Acoustic The Lament 
04. Acoustic Give A Chance 
05. Symphonic Caladvwch 
06. Dark Avenger 2003 (Bônus) 
07. Caladvwch (Bônus) 
08. Utther Evil – Delirious (Bônus) 
09. Utther Evil – Tragedy (Bônus) 
10. Unleash Hell (Bônus)

Formação do CD:

Mario Linhares (Vocal)
Hugo Santiago (Guitarra)
Marcus Valls (Guitarra) 
Gustavo Magalhães (Baixo) 
Rafael Dantas (Bateria) 
Tomas Vital (Teclado/Piano)

Contatos:

terça-feira, 2 de fevereiro de 2016

Review: Sodamned – Songs For All And None


Por Pedro Humangous

Como esperei por esse disco! E finalmente tenho em mãos o tão aguardado “Songs For All And None! Antes de resenha-lo, fiz questão de digerir o trabalho com calma, ouvindo diversas vezes para assimilar a mensagem passada por Juliano Regis (vocais e guitarras), Fabrício Gamba (guitarras), Felipe Gonçalves (baixo e vocais) e Gilson Lange (bateria). Como o próprio nome do álbum já diz, são músicas para todos e ao mesmo tempo para ninguém. São composições caóticas, extremas, mas ao mesmo tempo belíssimas e cheias de melodia, transbordando sentimentos, transitando entre a densidão melancólica do Doom, a energia do Death, a leveza de espírito trazida pelos inteligentes riffs melódicos que brincam no terreno do Black Metal. A maravilhosa e impactante arte que ilustra a capa, feita por Gustavo Sazes, já dita o tom desse disco, um balanço perfeito entre o belo e o sombrio. O grupo catarinense não poupa nossos ouvidos e desfila uma imensidão de riffs velozes, bateria incessante e vocais insanos. O gutural do Juliano é cavernoso e beira o absurdo! Unido aos berros ensandecidos do Felipe, a coisa fica simplesmente descomunal! A massa sonora é impedosa quando resolvem atacar com todas as armas simultaneamente – com  urros, guturais, uma rifferama e o bumbo duplo com blast beats, seguido de perto pelo baixo nervoso. A banda se sai ainda melhor quando trabalha seu arsenal com calma, de forma mais cadenciada – a faixa “For All And None” é um belo exemplo. “Dynamite”, que ganhou um ótimo videoclipe e já era conhecida do público, é realmente um dos destaques desse disco, sendo seguida da maravilhosa “Oração À Virgem”, com sua letra cantada em português e com conteúdo pra lá de polêmico. A audição passa voando, convidando o ouvinte a ouvir o álbum repetidas vezes. Esse foi certamente um dos melhores trabalhos do ano passado, de uma das bandas que mais respeito e admiro no cenário brasileiro. Corra atrás, adquira o material físico e original e não deixe de ouvi-los! “Songs For All And None” é um passo firme dado nessa trajetória de sucesso da banda Sodamned! Nota: 9,0


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